Introdução

“O Reino do Céu é como um tesouro escondido num campo, que certo homem acha e esconde de novo. Fica tão feliz, que vende tudo o que tem, e depois volta, e compra o campo.”
— Mateus 13:44

Damos o nome de tesouro a um conjunto de coisas cuja preciosidade influencia a essência do homem. Quando o primeiro homem foi criado, foi-lhe dado tudo. Simplesmente tudo. Ele não se tornou mais rico ou menos rico; tudo lhe foi dado. Como homem, ele era completo. Não havia razão para que lhe faltasse algo.

O jardim do Éden era um ambiente onde tudo havia sido concedido. Ali, desfrutava de acesso à árvore da vida, à árvore do conhecimento do bem e do mal e, principalmente, à presença de Deus. As condições eram perfeitas para um senso de completude. Conversavam, comungavam e conviviam. Ele tinha os acessos e a capacidade de decidir, além do conhecimento da vontade de Deus.

Esse homem tomava inúmeras decisões usufruindo de seu livre-arbítrio e vivia dentro do propósito estabelecido pelo Criador. Houve, porém, um dia em que usou sua vontade para tomar uma decisão contrária, resolvendo comer o fruto que lhe fora proibido, passando a discernir o bem e o mal por si mesmo. Então, Deus o colocou para fora e dispôs querubins e uma espada de fogo que dava voltas em todas as direções, para guardar o caminho da árvore da vida. Sem acesso a esse fruto, perdeu o acesso à vida eterna. O impacto e a dimensão da perda das coisas espirituais foram significativos. Desde então, o valioso acesso ao ambiente criado por Deus para a convivência e comunhão lhe foi retirado, abalando sua essência.

Um relacionamento paternal, afetivo, de amor e de amizade, agora estava comprometido por essa decisão. Sem dúvida, algo muito forte e contundente para quem tinha recebido tanto. Esse é o sentido da perda de algo precioso que desejamos transmitir. Desde então, Adão, Eva, Abel, Caim e toda a humanidade precisaram administrar a condição que se estabelecia por causa da desobediência de um. No texto acima, o encontro de um tesouro escondido ganha sentido espiritual ao remeter ao que foi perdido no Éden: o próprio Reino de Deus.

A todo instante, o site As Coisas Espirituais manterá o foco no ensino de Cristo nos evangelhos, bem como nos livros do Novo e do Velho Testamento. Estaremos vendo juntos o que é importante para Deus em parábolas como a do tesouro escondido, que, ao ser encontrado, enche o coração do homem com tanta alegria e felicidade que o leva a vender tudo o que tem para, simplesmente, comprar a terra onde esse tesouro está. “Fica tão feliz que vende tudo o que tem, volta, e compra aquele campo”. Somente um tesouro preciosíssimo pode nos fazer abrir mão de tudo o que conseguimos nesta vida. É como o cumprimento de um protocolo divino para acessar o Reino de Deus com absoluta alegria.

Veremos como Deus proveu novamente ao homem a vida eterna, ao comermos a Sua carne e bebermos do Seu sangue, ressuscitando no último dia, como vemos no evangelho de João 6:54. Comer e beber de Cristo remete ao início, à árvore da vida, e mantém o simbolismo de algo que é genuinamente espiritual.

As coisas importantes para Deus são sempre, exclusivamente, espirituais, ainda que nos sejam transmitidas com uma riqueza de simbolismos — como é o caso da Ceia do Senhor, celebrada pelo mundo com pão e vinho ou elementos similares.